Uma plêiade de funcionários competentes

O tema competência, nos últimos anos, tornou-se foco da pauta das discussões acadêmicas e empresariais, ligado a diferentes níveis de compreensão: no nível da pessoa (a competência do indivíduo), das organizações (as core competences-competências essenciais) e dos países (sistemas educacionais e de formação de competências).
Reputo importante, nos dias atuais de crise, recuperar o debate teórico e prático a respeito da noção de competência, para a compreensão mais clara por empresários e pelos governos acerca de seu conceito, relacionando-o à estratégia e aos processos de aprendizagem organizacional, principalmente quanto ao seu desenvolvimento e sua gestão.
Diante destes novos cenários, muito se tem dito acerca do papel que as pessoas precisam desempenhar nas organizações, reconhecendo-se que são elas que fazem a diferença nos momentos cruciais de uma conjuntura desfavorável.
Torna-se cada vez mais claro que o sucesso de planos e estratégias depende de pessoas comprometidas com a missão e os objetivos das organizações governamentais e privadas, assim como do desenvolvimento de uma série de competências para que as pessoas estejam à altura de assumir desafios.
Assim sendo, uma política de recursos humanos bem estruturada deve definir as áreas prioritárias de desenvolvimento para seus membros como uma forma inteligente de potencializar a capacidade de ação das organizações. Além disso, oferecerá oportunidade para que o próprio profissional possa realizar uma análise crítica de quais competências ele necessita e traçar uma estratégia de como poderá adquiri-las e desenvolvê-las com o tempo. A partir daí, a organização voltará sua atenção mais destacadamente para o acompanhamento do processo e para a análise dos resultados alcançados.
Precisamos nos pautar pela defesa das boas práticas de governança, não apenas nas empresas (corporativa), mas, também, no âmbito do próprio dia-a-dia da gestão dos órgãos públicos.A governança corporativa refere-se a um conjunto de processos, políticas, leis, regulamentos e ambientes que regulam a maneira como uma empresa é dirigida, aí incluídas as relações entre os objetivos pelos quais a empresa se orienta e os acionistas, a alta administração e o conselho de administração.Dentre os fundamentos da boa governança quero destacar a participação (representantes legítimos), o Estado de direito (direitos humanos, estrutura legal justa, agentes públicos de coerção imparciais e incorruptíveis, judiciário independente), a transparência (informações acessíveis), a efetividade e eficiência (resultados esperados pela coletividade), além da prestação de contas, esta imprescindível para que o sistema corporativo ou público seja confiável, tanto aos acionistas das empresas quanto aos contribuintes que financiam as atividades públicas.
As causas que conduzem a problemas de governança pública normalmente repousam em desacertos, descontrole ou até em incompetência setorial (educação, saúde, transporte, assistência social, inexistência de uma consistente política industrial e agrícola, insuficientes medidas de geração de emprego e renda), mas também encontram espaço no que diz respeito à coordenação política para manutenção da governabilidade.Sabemos que existem dois componentes nas organizações: o subsistema técnico, constituído da tecnologia, dos equipamentos e das instalações, e o subsistema social, o fator humano, com seus estilos de relacionamento interpessoal, de liderança, e de trabalho em equipe, bem como seus valores pessoais.Mas a solução para quaisquer situações de entropia, de desordem, em uma organização pública ou privada sempre será o elemento humano, um quadro funcional eficaz, com uma consistente formação profissional. Quem implementa, pratica e sustenta os níveis de qualidade, gerindo e participando dos processos organizacionais, individualmente ou em grupo, é o fator humano, cujos membros devem estar comprometidos com todo o processo.
O governo de Goiás realizou recentemente uma profunda reforma em quase todas as áreas de sua estrutura administrativa, buscando modernizar a máquina burocrática e racionalizar a despesa com pessoal, no sentido de diminuir o déficit nas contas públicas. É sabido que somente isso não basta para a otimização vislumbrada. Torna-se necessária, imprescindível mesmo, a adoção de um programa, intenso e de amplo espectro, de qualificação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos, para que o Estado possa oferecer à sociedade os serviços de que ela necessita em termos de qualidade e quantidade.É importante reconhecer e tratar o fator humano tão seriamente quanto são abordados os outros fatores, traçando planos, avaliando a eficácia de sua gestão e aumentando a habilitação interpessoal dos gerentes e dos órgãos públicos em relação aos contribuintes. A eficácia e a sinergia das equipes são obtidas mais pelo processo de relacionamento do grupo, apoiador para a criatividade e o comprometimento, e menos pelos recursos individuais e técnicos disponíveis. Deve ser buscado o envolvimento dos servidores, criando clima facilitador para a conscientização e decisão de mudar, tendo como objetivo principal os anseios e necessidades da população.
A extinta Caixego era destacadamente reconhecida como uma instituição financeira que mais investia em pessoal, possuindo um plano estratégico de desenvolvimento de recursos humanos permanentemente orientado pelos padrões internos de desempenho e por pesquisas externas de mercado ocupacional. As metodologias e técnicas didático-pedagógicas usadas propiciavam a aprendizagem através de absorção de conceitos abstratos e teorias, da observação reflexiva, mas eram especialmente focadas na experimentação ativa e na experiência concreta.
Essa prática gerou um quadro de profissionais altamente qualificado que conduzia aquela empresa pública, ano após ano, a resultados positivos não só no campo financeiro, mas no campo do financiamento social, como a habitação. A ponto de, quando foi politicamente liquidada, ser detentora de 84% das contas de poupança deste seguimento da população de Goiás depositadas em suas agências e postos de serviço espalhados por todo o território goiano.
Pelo seu excelente nível profissional, a maioria desses funcionários se manteve atualizada e poderá, contar ainda mais através da anistia aos ex-servidores da Caixego, protagonizar, em conjunto com os demais servidores do Estado de Goiás, esse grande e meritório esforço de atualização da força laboral pública, com a consequente melhoria da oferta de serviços em atendimento à população goiana.É o que esperamos e para tal lutamos, em busca da compreensão e consciência social dos poucos parlamentares, e de alguns setores do governo de Goiás.
Para reflexão cito Augusto Cury: “procure vender coragem para os inseguros, ousadia para os fóbitos, alegria para os que perderam o encanto pela vida, sensatez para os incautos, críticas para os pensadores.”
Antonio Alencar Filho é administrador e presidente da Associação de Resgate e Cidadania do Estado de Goiás e escreve aos domingos

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