terça-feira, 28 de julho de 2009

Humanismo e administração pública (2)

Como afirmei anteriormente, o homem é o valor mais importante de uma sociedade e precisamos exaltar a dignidade humana, voltando a considerar prioritariamente o indivíduo e suas necessidades, recolocando-o como ponto central das estratégias, políticas e ações públicas.
No Brasil, pesquisas verificaram que dirigentes de empresas têm sua formação superior baseada em conteúdos curriculares de alta especialização, focados em disciplinas eminentemente técnicas e profissionalizantes, visando atender ao mercado e deixando de lado o desenvolvimento total do indivíduo. Esta é uma realidade também presente na área pública, no entanto, nesse mister, o humanismo torna-se fundamental na abordagem pelo gestor público dos assuntos de cunho predominantemente social com que se defronta.
Ao administrador público, não basta somente a formação técnica. Sua atitude diante das questões que lhe são apresentadas cotidianamente depende da sua educação como pessoa, para que possa melhor entender seus semelhantes e tenha uma visão crítica do mundo, além de ser criativo o suficiente para elaborar novas soluções perante as mudanças da sociedade e do mundo.
Sabemos que empresas privadas nascem, em princípio, sob a égide da obtenção de lucros, apesar de seus sócios dizerem que visam “a satisfação das necessidades dos clientes”. Já os órgãos públicos devem ter como orientação e destino final o “lucro social”, que nada mais é do que o bem-estar produzido junto à população como resultado do estabelecimento e manutenção de políticas e ações públicas consistentes em todas as áreas de seu amplo leque de atribuições. Apesar de ainda existirem servidores públicos cuja cultura é focada numa rotina interna, típica de um sistema fechado, e que não concordam com o trabalho sob pressão social para a formulação de objetivos e metas voltadas efetivamente para as aspirações da comunidade, é aconselhável irem se adaptando, pois essa é uma tendência irreversível, uma vez que os segmentos organizados da sociedade não mais estão dispostos a declinar do seu papel de protagonismo histórico.
Por isso, é preciso que os colaboradores governamentais entendam que não foram guindados a seus postos para unicamente cumprir determinações de grupos políticos ou econômicos dos quais são oriundos, ou simplesmente gerar programas e ações públicas paliativas junto à população. As pessoas querem resultados! Buscam isso a todo instante em contatos com os poderes públicos, associações de bairro, classistas e demais segmentos da sociedade civil.
Consultores especializados têm apontado a liderança ausente, a competência inadequada, o fraco monitoramento gerencial e a falha de comunicação como as principais causas de políticas públicas equivocadas. Nem sempre uma meta colimada por uma equipe governamental bem intencionada, com consequências positivas para a comunidade e estipulada por governantes reconhecidamente experientes é facilmente entendida pelos colaboradores de uma equipe governamental, o que tem comprometido os resultados a serem alcançados.
Em contrapartida, não está correto dizer-se que um determinado resultado negativo na administração pública perpassa pela extensão do estado de desordem, pela entropia, nas relações servidores/objetivos governamentais e que a solução seria o sacrifício do funcionário preparado, com cortes unicamente na área de pessoal. Pelo contrário, combate a corrupção milenar e o melhor remédio para o desequilíbrio das contas públicas.
Assim sendo, devemos irmanados trabalhar, governos, servidores, empresas, organizações da sociedade civil e lideranças políticas e sociais para que, num esforço conjunto de entendimento que supere as diferenças, contribuir decisivamente para o bem da sociedade como um todo. Espero que estas constatações, tão importantes para tantos quantos se debruçam sobre esse assunto, venham fornecer subsídios para discussões, análises e, de alguma forma, contribuam para a evolução dos conceitos e processos de negociação que envolvam os gestores públicos, seus servidores, representações classistas e, mesmo, nos debates com as organizações da sociedade civil, conduzindo a uma forma participativa no processo de tomada de decisões e sinalizando que no Estado de Goiás, finalmente, a administração pública atingiu um patamar somente comparável a instituições governamentais e privadas com parâmetros voltados para a excelência.
Antonio Alencar Filho é administrador e presidente da Associação de Resgate e Cidadania do Estado de Goiás e escreve aos domingos

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