19 anos de massacre dos ex-servidores da Caixego

Segundo os ensinamentos bíblicos, nascemos das mãos de Deus para sermos irmãos na plenitude desta palavra. Através dos tempos, essa prática vem se perdendo e, frequentemente, temos nos deparado com situações muito tristes produzidas por novíssimos falsos profetas, os “politiqueiros de plantão”. Criaturas que têm conseguido permanecer na política há décadas, propagando uma imagem de “homens sérios” e que não passam de hipnotizadores profissionais de um sistema arcaico com padrões de práticas individuais duvidosas e ações sociais enganadoras, herança produzida pelos resíduos de uma oligarquia que visa o poder pelo poder e segue exemplarmente a teoria maquiaveliana, em que “um príncipe prudente não deverá pois agir contra seus interesses e quando os motivos que o levaram a empenhar a palavra deixarem de existir”. Podemos, aqui, estabelecer um paralelo com os antigos matadouros a céu aberto, malcheirosos e cheios de predadores, onde a matéria-prima não é o animal, mas o ser “homem”, sacrificado em proveito das vaidades e vantagens pessoais de seus líderes.
Nesse mesmo diapasão, torna-se necessário citar a grande semelhança dos métodos nazistas adotados na Segunda Guerra Mundial, na sua forma e técnica de ação, pelas práticas ocorridas nos meios eleitorais brasileiros dos anos de 1989 e 1990 “colloridos”, marcas de um passado recente.
À época, o “holocausto do Cerrado” fora instituído. Um plano diabólico implantado no Brasil Central – cenário de um palco triste e revelador dos acordos do ódio –, praticado por “politiqueiros” desumanos, na justificativa de destruir os seus opositores a qualquer preço, esquecendo-se naquele momento das sequelas causadas nos nossos irmãos goianos, funcionários públicos incansáveis da Caixego e seus familiares, com prejuízos de grandes proporções também em todos os setores da sociedade. Um verdadeiro genocídio social.
Até 1990, no Cerrado dos homens de bem, a vida era normal e estável, ou seja, as pessoas trabalhavam, tinham seus empregos, iam ao cinema, teatro e suas crianças brincavam e iam à escola, e tudo o mais na vida corrente de cidadãos inseridos na sociedade. Com a execução do plano de aniquilamento político do governo de Goiás de então, foi instalado um tribunal de exceção, ditadura absoluta que era alimentada pelos sentimentos de vingança externos e realização de conchavos políticos odiosos no âmbito estadual. Nestes momentos, a dor, o choro, os gritos e o desespero tomaram conta daqueles que, por consequência, viram o cenário se transformar repentinamente, no qual, por imposição do desemprego, mulheres eram separadas de suas crianças e de seus esposos, e estes do convívio social como excluídos ou por doenças várias que, inclusive, levaram à morte inúmeros companheiros trabalhadores.
Não posso continuar esse triste relato, pois as minhas vísceras fadigam por justiça apesar de buscar forças no meu interior para tentar traduzir o sofrimento passado por todos os ex-servidores da Caixego, seus familiares e amigos, além da sociedade organizada que, enojada pela inércia dos políticos de então, foi às ruas exigir a reação de nossos representantes, alguns deles até hoje com mandato.
Desse período, o que esperar? O mínimo de respeito das autoridades, o arrependimento, o reconhecimento de equívocos praticados com esses funcionários públicos, verdadeiros propulsores da economia goiana. O que fazer? Goiás já pagou preço muito caro pelo autoritarismo vivido no período de chumbo, razão pela qual não se aceita mais a imposição da intolerância de poucos. É preciso resgatar, fechar a ferida, utilizando-se do mecanismo democrático já adotado pelo governo federal, que anistiou os seus servidores civis daquele período, através da lei federal 8.878/94.
Ao governador do Estado, dr. Alcides Rodrigues, dentro dos mesmos parâmetros da referida lei, elaborando projeto de lei estadual ordinária, é-lhe dada oportunidade histórica de trazer, enfim, a tão aguardada justiça àqueles dedicados e competentes ex-trabalhadores da Caixego que foram tolhidos em sua carreira, mas que verdadeiramente trouxeram grande período de desenvolvimento aos governos e à população e, em conseqüência, ao Estado de Goiás, durante décadas de serviços prestados. 19 anos, memórias reais que ainda mancham a lisura de uma política a ser enterrada de vez. A história registrará quem tiver a coragem de realizar esse ato cívico.
Antonio Alencar Filho é administrador e presidente da Associação de Resgate e Cidadania do Estado de Goiás e escreve aos domingos

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