quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A dança dos noivos na política

Na história contemporânea, vivenciamos os casamentos dos namorados tradicionais selados nas igrejas, cartórios, residências e jardins floridos com os seus adereços e fogos oferecidos aos seus convidados. Não mudou com o tempo; o significado do noivado é provavelmente a maturidade de um relacionamento. Qual é o tempo ideal para ficar noivo? Não existe, dizem os apaixonados. Alguns namoram por muito tempo, ficam noivos e já se casam de imediato, outros namoram pouco tempo e permanecem noivos por muito tempo. É um período muito interessante, durante o qual os casais poderão conhecer melhor os hábitos, manias e o próprio temperamento, além do que planejam o futuro, agregam sonhos e fantasias de uma vida a dois. Ao conjunto do noivado, acrescento ainda o par de alianças, que comunga o pacto entre duas ou mais partes, objetivando a realização de fins comuns, as quais representam a “fidelidade e o compromisso”.
Certos noivados são pautados em dotes que as famílias dos noivos possuem, outras no padrão econômico individual de cada um, isso nos leva a crer no forte laço de interesses dos namorados e famílias envolvidas num processo de união. Na outra vertente, namorados de poder aquisitivo baixo ou sem algum apoio material para realização dos sonhos almejados e planejados durante o noivado. Das duas situações, podemos concluir que as possibilidades de um futuro próspero dentro do esperado são quase sempre incertas.
Na política, observamos a dança dos noivos nos partidos composta de pessoas com destaque na sociedade, cada uma com seu nível de representação de importância. No último dia 03.10.2009, venceu o prazo das filiações para aqueles que têm o desejo de almejar uma candidatura aos cargos majoritários e proporcionais do ano que vem nas eleições de governador, deputados estaduais, federais e seus respectivos suplentes. O que se viu nos últimos meses de namoros e noivados novos e desfeitos na política é algo de entrar no guinness book, livro dos recordes mantido na rede mundial de fatos e acontecimentos. Até no altar das igrejas, quero dizer nos pedestais dos partidos, assistimos, pelos veículos de comunicação, separações antecipadas, que surpreenderam aos mais renomados estrategistas, cientistas políticos e, também, por que não dizer os inventores teatrais da comunicação de personagens de quadrinhos de desenhos inexistentes? Cada capítulo das opções partidárias pelos futuros noivos pretendentes na disputa das eleições propaladas determinou os perfis de dotes e padrões econômicos, bem como os agregados de baixo poder aquisitivo para que todos sirvam de mulas eleitorais aos interesses grupais de um sistema político arcaico de quem pode mais, manda mais.
Finalmente, somos vítimas ou não? Dessa dúvida esperamos ser conduzidos por noivados que traduzam uma relação de maturidade e crescimento, mesmo porque acreditamos que esses atores do namoro institucional e partidário tenham juízo e ética nas suas negociações de fato, consolidando alianças que não sejam seladas nas emoções do ódio e nem visem seus interesses pessoais.


Antonio Alencar Filho é administrador e presidente da Associação de Resgate e Cidadania do Estado de Goiás e escreve aos domingos

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