Decisões políticas equivocadas

Os governantes, nos países democráticos, são eleitos para que, através da estruturação de uma equipe de governo integrada por gestores e técnicos experientes e competentes em todas as áreas do serviço público, possam promover ações políticas baseadas num planejamento focado nas necessidades da população, que lhes colocou no poder. Poder, salientemos, de tomar decisões estratégicas, táticas e operacionais consistentes e realizar, executar programas e projetos de inclusão e de satisfação das carências da sociedade não só correntes, do dia a dia, mas com uma visão de futuro.
No entanto, sempre aparecem, aqui e ali, alguns administradores públicos que acham que o poder que lhes foi emprestado temporariamente foi o de fazer o que bem entendem, sem consultar a população sobre os impactos positivos ou negativos de suas decisões, normalmente tomadas nos gabinetes e em uma roda de “líderes” de grupos de interesse. Interesse de quem?
Os moradores de Goiânia estão, no momento, sob a situação de sofrer um grande prejuízo, principalmente os trabalhadores que utilizam o transporte coletivo do eixo Anhanguera no deslocamento de suas residências para seu serviço e vice-versa. Isto porque segundo noticias de jornais me levam a leitura que está em andamento uma armação para privatizar a linha principal do transporte coletivo da capital, atualmente a concessão é da empresa estatal ligada ao Governo de Goiás Metrobus, que, por dispor de um subsídio da ordem de R$ 60 milhões mensais, proporciona ao usuário desse trecho uma passagem mais acessível no valor de R$ 1,15.
Quem irá decidir esta questão é a Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo – CDTC, que regula o sistema modal de transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia, e tem discutido a continuidade ou não da concessão da exploração do Eixo-Anhanguera pela Metrobus. O problema é que, se privatizada e sem o subsídio, o valor de cada passagem terá um acréscimo de quase 100%, indo para R$ 2,25, o que fatalmente prejudicará toda uma massa de trabalhadores, um total de 180 mil/dia usuários que dependem deste eixo para se deslocarem ao seu trabalho e não têm condições de arcar com esse custo. No entanto, ocorre que a CDTC é composta de 09 (nove) conselheiros, e destes, 06 (seis), a maioria, obedecem à orientação do Prefeito Íris Rezende, que dar indicativo no desejo de privatizar, o que consideramos um equívoco sem precedentes por não considerar o pesado ônus a ser imposto à população, e sim os interesses de grupos econômicos que somente visam o lucro e não têm qualquer envolvimento e preocupação com o fator social do transporte que, entendemos, deverá ser público e para todos, mormente nas regiões metropolitanas em que se verifica um grande fluxo de trabalhadores.
Somos contrários a qualquer privatização nos moldes em que têm sido feitas no Brasil e não poderíamos deixar de nos posicionar em relação à Metrobus, que tem desempenhado exemplarmente seu importante papel de prover um transporte de qualidade e acessível à população trabalhadora goianense
. Para que se possa avaliar o potencial destrutivo de uma decisão política equivocada, façamos um paralelo com o que aconteceu com a Caixego, considerada pelo Banco Central do Brasil como uma das melhores instituições financeiras com objetivo social do país, e que um ato meramente de cunho político e de revanchismo eleitoral, produziu o fechamento daquela modelar empresa pública goiana, tendo como conseqüência incalculável prejuízo a setores vitais da economia de Goiás, como micro e pequenos empresários urbanos e rurais, habitação e poupança, além do asacrifício, a imolação de grande número de seus servidores e familiares, pela perda abrupta do seu emprego, em que milhares de pessoas dormiram empregadas e acordaram desempregadas, passando a conhecer de perto o que é o isolamento e a falta de perspectiva, ficando sem qualquer apoio por parte das instituições estatais, privadas e políticas.
Mas a História está, ainda que tardiamente, para fazer justiça com esses dedicados trabalhadores que, de forma ordeira mas com tenacidade e persistência, continuam firmes no movimento de conscientização das autoridades e da população para a necessidade de reconhecimento e de recondução daqueles que sofreram odiosos atos políticos de exceção, atentando contra o nosso Estado, sua economia e sua gente.
Através do processo de Anistia Administrativa em curso, acreditamos firmemente que, pela seriedade das pessoas envolvidas nessa questão, brevemente os protagonistas de hoje (autoridades, técnicos e a nossa associação) farão o que os inermes de ontem não o fizeram: o resgate do massacre perpetrado contra os ex-funcionários da Caixego, cidadãos goianos e funcionários públicos como todos os outros dos operosos quadros do Estado de Goiás.
Para reflexão dos agentes públicos deixo aqui a seguinte frase “as lições dos processos eleitorais do passado e do presente não perdoam aqueles que traem a confiança do povo”.

Antonio Alencar Filho é administrador e presidente da Associação de Resgate e Cidadania do Estado de Goiás e escreve aos domingos

Comentários

  1. Antônio como faço para localizar poupança que tinha na Caixego, tenho os dados, números etc. Não resgatamos o valor. Meu pai abriu essa conta poupança quando eramos crianças e então nos mudamos de Goiás, nunca resgatamos o valor. Sabe nos informar onde posso procurar maiores detalhes.

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