O SAL DA TERRA

O mundo já foi mais solidário. Apesar de a história registrar a vida de pessoas consideradas verdadeiros líderes positivos na sociedade, desde conquistadores, cientistas, políticos, militares e até mesmo santos, que, com suas lutas, geraram grandes realizações para toda a humanidade, a atualidade revela uma involução em termos de valores e exemplos de práticas meritórias em proveito da coletividade. Com isso, a maioria fecha-se em torno de si mesma com seus membros, argumentando que já tem problemas demais para ficarem se preocupando com os alheios e alegando que há gente mais preparada, mais qualificada para tal. Justificam-se aos outros e principalmente a si mesmos, dizendo que existem pessoas mais ricas e abastadas que se preocupam em ajudar os menos afortunados e o governo tem planos e projeto sociais em órgãos que se ocupam com o bem-estar da população.
Na verdade, não querem comprometer a sua vida sossegada e confortavelmente instalada. Com isso, deixam que o seu egoísmo, mesquinharia e “dolce far niente” inebriem lentamente as suas almas, retirando a cor e o sabor de uma vida com potencial de ser proativa, útil e consequente. Deixam de doar o seu melhor para seu próximo que, na realidade, em que nos deparamos, normalmente pode ser um vizinho que passa por dificuldades, uma pessoa que precisa de atendimento médico, um pai de família que perdeu seu emprego, o sustento de seus filhos e esposa, situação de ocorrência muito frequente hoje em dia, mesmo com a negação demagógica dos governos em tempo de eleição.
Não podemos adotar essa postura sob pena de, a qualquer momento, sermos chamados à responsabilidade ou por nosso íntimo sentimento de fragilidade cidadã, por nossos filhos e familiares que identificarão nossa omissão covarde ou mesmo pelo segmento social que dizemos representar e do qual apenas temos colhido o “bônus”, esquecendo-nos do “ônus” respectivo.
Tal visão acomodada não pode, não tem a mínima chance de prosperar. Os líderes sociais em geral, classistas e políticos em particular, precisam voltar a desempenhar seu papel de elo entre o poder e a sociedade, cumprindo efetivamente suas atribuições no sentido de realizar constante auscultação dos anseios e necessidades dos seus representados e levar até às últimas consequências ações de resultado ante os níveis decisórios dos governos para que as pessoas que pagam seus salários através dos impostos e contribuições tenham suas prioridades realmente atendidas e, se assim não o fizerem, sejam essas ineptas lideranças acionadas judicialmente para cumprirem o que for de sua competência, sob as penas da lei, como tem sido feito há décadas nos países mais desenvolvidos.
Toda pessoa que ocupa determinada posição de destaque, empresário, trabalhador ou qualquer autoridade, tem a obrigação e o dever de servir de exemplo para a comunidade na sua área de responsabilidade, atendendo o que as escrituras há milênios exortam: neste mundo que chora e geme, ser o “sal da terra”. Se assim não se comportar, fatalmente será, um dia ou outro, sumariamente afastada de suas funções por não fazer falta.
Como, na Bíblia, afirma Mateus (5:13): “Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.”
Antonio Alencar Filho é administrador e presidente da Associação de Resgate e Cidadania do Estado de Goiás e escreve aos domingos

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